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Sou uma apaixonada pela vida, sem limites pra sonhar...
Sou determinada, e adoro as coisas simples da vida... Não gosto de nada mal resolvido, sou preto no branco,o cinza não me convence...Sou sincera e verdadeira e só gosto de me relacionar com gente assim...
Pessoas, que como eu, tem atitude pra mudar o que não está bom, não se conforma, nem se acomoda com o mais ou menos....Ou está bom, ou a gente faz ficar.
A FELICIDADE ESTA EM NOSSAS MÃOS E DE MAIS NINGUEM.
POR ISSO ACORDA MENINA.

domingo, 20 de janeiro de 2013

BAILE DE DEBUTANTES

Nos anos 60, apesar dos Beatles, do feminismo , do Chacrinha , dos festivais da Record, do Cinema Novo , do Teatro de Arena , da minissaia e da pílula , do homem subindo ao espaço e descendo na lua , Elvis Presley, Cantinflas e Jonh Ford, Gordinis e a guerra no Vietnam, nos anos sessenta tinha o Baile de Debutante . Em todas as cidades do Brasil. 

Era o segundo baile mais importante do clube . 
O primeiro , é claro , era o Reveillon. Ambos , a rigor , como convinha. 
Não existia nada mais-mais do que a foto da debutante descendo a escada em curva dentro da sua casa . Sim , toda casa que tinha uma debutante tinha uma escada em curva , com corrimão e tudo que tinha direito . Se a senhora tem mais de 50 anos tem uma foto dessas aí no seu álbum . Sim , além da escada , tinha o álbum . O álbum com todos com quem a menina-moça ( olha que palavra ) havia dançado na mágica noite .
E AS VALSAS:
 Eram três as valsas . A primeira – sempre – com o pai , mesmo porque naquela época todas as debutantes tinham o pai morando em casa .
A segunda valsa com o namoradinho ciumento . E a terceira , com um tio , ou um irmão , ou mesmo um amigo . Cheguei a dançar uma segunda valsa com uma namorada e umas duas ou três com amigas. Mas nunca cheguei – e nem chegarei – a dançar a primeira valsa , a dos pais .
 Baile das Debutantes / 1969 / Dançando a valsa Neusa Boesso e seu pai Guerino Boesso / Cortesia José Augusto Rota by JB_CARDOSO
Pensando bem , acho que não seria mais capaz de dançar uma valsa como se dançava naquele tempo , ao som do Sylvio Mazzuca, rodopiando por todo o salão . Show !

Depois começaram a convidar – e pagar a preço de ouro – ator de novela para dançar as valsas com as nossas meninas. Sabia que aquilo não ia dar certo . Foi o começo do declínio . O mundo nunca mais seria o mesmo . Aquelas escadas em forma de curva perderiam seu charme e sua função .

Fico olhando as meninas que ganham os concursos para modelos . Treze, catorze anos . Será que elas sabem dançar uma valsa ? Ou melhor , sabem o que é valsa ? Que não é nenhum tempero ?

Me lembrei disso tudo porque encontrei no fundo de uma gaveta uma poesia do meu eterno amigo de infância , o poeta Sergio Antunes que fazia as poesias para o presidente do clube dizer no momento solene do baile . Vejam a ternura , o romantismo da época . Devo lembrar que o Sergio tinha 14 anos quando cometeu esses versos . A mesma idade que a mexicana Consuelo Velasquez tinha – na mesma época – ao compor Besame Mucho. É, no fundo da minha gaveta tinha muita mais vida do que hoje nos palcos da moda .

fotos: divulgação

texto:Mário Prata