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Sou uma apaixonada pela vida, sem limites pra sonhar...
Sou determinada, e adoro as coisas simples da vida... Não gosto de nada mal resolvido, sou preto no branco,o cinza não me convence...Sou sincera e verdadeira e só gosto de me relacionar com gente assim...
Pessoas, que como eu, tem atitude pra mudar o que não está bom, não se conforma, nem se acomoda com o mais ou menos....Ou está bom, ou a gente faz ficar.
A FELICIDADE ESTA EM NOSSAS MÃOS E DE MAIS NINGUEM.
POR ISSO ACORDA MENINA.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

NOITES FRENÉTICAS: UM TOUR PELA BOATES DE SÃO PAULO DAS DÉCADAS DE 60 E 70

Ser boêmio na São Paulo nos anos 60 e 70 era poder percorrer a pé, em boa parte do caminho, o circuito das boates mais disputadas da cidade. A maioria das casas noturnas ficava no centro, bem pertinho uma da outra, em espaço delimitado entre as ruas Nestor Pestana e Major Sertório até a Augusta, passando pela Rego Freitas e a Consolação
O repórter Cadão Volpato nos leva para um tour pelas boates de São Paulo das décadas de 60 e 70. 
PERFUME DIFERENTE;
CENTRO DE SÃO PAULO 1965

Centro de São Paulo em 1965 vestido por suas luzes

FACHADA DA BOATE CAVE
Ficava na Consolação esquina com a Nestor Pestana e era frequentado basicamento pelo público masculino.

MOUSTACHE
A entrada da Moustache na rua Sergipe, uma das boates frequentadas pela nata paulistana nos anos 60 e 70.
Os que andavam por ali encaravam a ferveção das madrugadas."A noite tinha perfume", diz o empresário Centro da cidade em 1965, vestido por suas luzes , um dos reis do pedaço naquela época, muito jovem, foi sócio de diversas boates, entre elas a famosa Tonton Macoute, no número 111 da rua Nestor Pestana, ponto de encontro da elite paulistana. Para eles, a noite era uma sucessão de aventuras regadas a álcool nos chamados inferninhos, um eufemismo inocente que batizava lugares em geral apertados, dominados pela música, pelo uisque, pela conversa e pelo flerte.
 Em eventuais desentendimentos apenas alguns copos e  garrafas eram quebradas. "Tinha umas brigas de playboy, mas a coisa se restringia a um repertório mais simples, na base de tapas e socos. O resto da noite era só alegria", conta Loscalzo. Morando no andar de cima da casa noturna que comandava, ele atravessava madrugadas e esperava o raiar do dia para a prática de seu hobby predileto nadar na piscina da Associação Cristã de Moços. "Só depois disso eu ia dormir", relembra.

ROSE DI PRIMO
A boate Tonton Macoute costumava receber um público mais maduro.
 A modelo Rose Di Primo, que estourava nas capas de revistas, era uma de suas frequentadoras assíduas.

VERA FISCHER
 A estoteante Vera Fischer também.
 O cardápio tinha toque de glamour: lagosta à thermidor, risoto de camarão gratinado, o filé chateaubrind, que estava então fazendo sua fama. A casa servia ainda de cenário para degustação da Moët & Chandon , quando o champagne aterrisava por aqui.

O empresário Eduardo Nazarian, frequentador da Tonton Macoute, lembra da boate como um oásis na Nestor Pestana, O moustache (na rua Sergipe, em frente ao cemitério da Consolação), do empresário João A|lberto Morad - pai deLuciana Gimenez-, se estenderia um pouco mais além, até o Dobrão, nos Jardins, que tinha como sócios o ator Hélio Souto e o autor Cassiano Gabus Mendes. 
Na lista de frequentadores dessas noitadas figuravam nomes como Luiz Osvaldo Pastore, Toninho Abdalla, Chiquinho Scarpa, Robi Tulli, Carlinhos Mansur, George e Joca  Calfat, Monique Evans, Maria Eugênia Lattes, Helô Saddi, mônica e Ticha Prado, Lidoka, do grupo as Frenéticas, Cláudia Troncon e Vera e Roberto Suplicy, entre outros. "As coisas eram diferentes. A noite tinha um glamour, as mulheres se arrumavam, iam de esporte fino. E, nunca iam sozinhas", conta Vera, que tinha um primo que a levava nas boates. 

AS ATRIZES HEBE CAMARGO, TONIA CARRERO E LOLITA RODRIGUES  NA FERVEÇÃO DA MOUSTACHE
As atrizes Hebe Camargo, Tonia Carrero e Lolita Rodrigues também frequentavam as noitadas. Assim, como as manequins da época, como Mila Moreira e Malu Fernandes, que saiam da Fenit - a passarela da moda de São Paulo daqueles tempos - e terminavam a noite nas casas noturnas mais descoladas.

Um pouco mais distantes ficava o Hullabaloo, na avenida Santo Amaro (antes do Hospital São Luiz). Ali, a grande sensação era uma supernovidade: a luz negra. Mas ainda havia um plus, a filha da proprietária despertava paixões avassaladoras.

Muito dos jovens, assim como o empresário Eduardo Nazarian, não tinham dinheiro sobrando na ocasião. " Não era barato ir a esses lugares mas a gente se virava." Um expediente comun era tomar alguma coisa no botequim ao lado - sempre tinha um - antes de entrar na boate.

COCKTAIL MEIA DE SEDA
TAMBEM CONHECIDO COMO ALEXANDER
O negócio da rapaziada não era droga e, sim, muita bebida. Entre as garotas, o predileto era o lendário cocktail Meia de Seda, a base de leite condensado, conhaque e licor de cacau.

UISQUE OILD EIGHT
 Loscalvo lembra do uisque Oild Eigth, lançado por Fabrizio Fasano. Ele surgiu em 1966, com malte envelhecido oito anos, era comercializado a principio apenas  nos bares e boates e virou febre. Vinte vendedores saíam todo dia em duas peruas Kombi da empresa, voltando com as caixas vazias."Cocaina era coisa de milionário", diz Loscalvo.
Descer a Augusta para falar com as meninas fazia parte do inocente repertório desses rapazes no fim de semana. O contato, digamos assim, mais físico, acontecia em espécie de fim de mundo, o bairro de Interlagos. "Às 4 da tarde, em pleno domingo, a gente dava uns malhos." A opinião geral era de que as meninas de São Paulo se vestiam bem, mas eram feias. Já as cariocas se vestiam mal, mas eram bonitas. As mais disputadas da época eram Renata Souza Dantas, Kiki Cunha Beuno e as três irmãs Correa. Já os meninos mais transados eram Eduardo Longo e Nick Lunardelli.

LACERDA, O MAÍTRE DO MOUSTACHE E CONHECIDO PELOS JOVENS DA NOITE
Uma das figuras mais conhecidas da noite era o Lacerda, do Moustache. "Ele faz parte da história. Conhecia todo mundo pelo nome e era o maítre da noite", diz Vera Suplicy, que frequentava também o Djalma's e a Tonton.

UNDERGROUND

Estamos em 1967. Qualquer garoto de 20 e pouco anos fazia a ronda notuna e acabava no Cave, na Consolação, esquina com a Nestor Pestana. O Cave era uma boate tipo fim de noite em que as protitutas costumavam frequentar depois do "expediente", relembram seus antigos habitués - o local era um programa bem masculino. A essa altura, os rapazes já estariam sem as namoradas, que teriam deixado em casa.
LENNIE DALE 
Também batiam ponto ali alguns dos integrantes do Dzi Croquettes, entre eles Lennie Dale e Paulette - e até o bailarino americano Jojo Smith. Por volta das 4 da manhã, essas mulheres começavam a ir embora - e podia sobrar alguma coisa para alguém.

TINHA UMA BRIGAS DE PLAYBOY, MAS A COISA SE RESTRINGIA A UM REPERTORIO MAIS SIMPLES, NA BASE DE TAPAS E SOCOS, O RESTO DA NOITE ERA SÓ ALEGRIA.
Loscalzo, que também foi sócio do Cave, diz que a casa era frequentada mais"pela estudantada".

 ROBERTO CARLOS
ERASMO CARLOS
 Mas o pessoal da nascente Jovem Guarda também costumava aparecer por lá, atrás do lendário picadinho grátis, servido antes da chegada das profissionais. Roberto Carlos e o tremendão Erasmo Carlos iam muito,conta. Ele lembra uma ocasião especial envolvendo Roberto Carlos e um dos frequentadores. "Um desses rapazes desmaiou de tanto beber e foi parar na minha sala, Roberto, passando por ali, ajudou a desdpertá-lo com tapas. No fim, o menino foi levado para casa por um dos funcionários. E certamente não se recorda de ter sido reavidado pelo Rei".

BELO ROCKFELLER
Do ponto de vista musical, as boates do centro tiinham estilo diversos. Da mesma forma que a jovem guarda passarapor elas ainda engatinhando, a bossa nova deu o ar de sua graça aveludada nas casas noturnas da praça Roosevelt: Zuimbo Trio, Longo Trio, Sambalanço. Sim, os grandes instrumentais da bossa nova tocaram no Djalm'as, no Baiuca e no Standurts.

ELLIS REGINA
Foi no Djalma's, aliás, que Elis Regina cantou pela primeira vez em São Paulo, com o cantor Silvio Cesar, em 5 de agosto de 1964, um marco histórico. Dizem ainda que o tétrico slogan "São Paulo, túmulo do samba" foi soprado por Vinicius de Morais no ouvido de Johnny Alf, no Baiuca, espécie de piano bar.
Descendo a Augusta em direção aos Jardins, chegava-se ao Dobrão, na alameda Lorena, perto do Empório Santa Luzia. Foi lá que nascem também, uma da melhores idéias da televisão brasileira, a novela Beto Rockfeller, exibidada no fim dos anos 60. Reza a lenda que um desconhecido entrou no sofisticado salão da boate e tirou uma das moças, a mais bonita, para dançar um tango. Fez isso com brilho e depois sumiu na noite.Intrigados, alguns artistas da TV Tupy, presentes, batizaram ali mesmo o bicão. Das testemunhas daquele evento dançante no Dobrão, o autor Bráulio Pedroso recebeu o mote para Beto Rockfeller. A boate também cederia a trilha soniora da novela, baseada nas músicas que tocavam na casa, tipo "F...Comme Femme", de Adamo, que acompanharia a personagem de Bete Mendes e viraria sucesso internacional instantâneo.
A turma da noite paulista se embala ao som de James Brown, Johnny Rivers, Santana, James Taylor, Bee Gees, Diana Rosso e eventuamente, Frank Sinatra. Gente como Luiz Vassalo, Paulo Kaloubek e o colunista empresário Luiz Assunção, o Meninão, hoje nome de filé no Paribar, também entrarão para história. Nomes, cheiros e modismo ainda hoje são evocados por aqueles que vadiaram pela geografia das casas noturnas de São Paulo. O filé Chateaubriand, o picadinho do Cave e o sanduiche de peito de peru no palito ao redondo, servido na lanchonete Sanduba, ao lado da boate Moustache, na Consolação, não sairam da memória dos baladeiros do passado.

FLORES LARGO DO AROUCHE
Lembrando do seu reinado, Roberto Loscalzo diz não sentir falta de nada. Mas trai a saudade de quando lembra das caminhadas solitárias que fazia em direção a um bucólico largo do Araouche, onde dava para comprar flores sem ser incomodado.

fotos: divulgação

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