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Sou uma apaixonada pela vida, sem limites pra sonhar...
Sou determinada, e adoro as coisas simples da vida... Não gosto de nada mal resolvido, sou preto no branco,o cinza não me convence...Sou sincera e verdadeira e só gosto de me relacionar com gente assim...
Pessoas, que como eu, tem atitude pra mudar o que não está bom, não se conforma, nem se acomoda com o mais ou menos....Ou está bom, ou a gente faz ficar.
A FELICIDADE ESTA EM NOSSAS MÃOS E DE MAIS NINGUEM.
POR ISSO ACORDA MENINA.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

HÁ 46 ANOS, O ÚLTIMO CONCERTO DE ROCK DOS BEATLES

No dia 30 de janeiro, 46 anos atrás, os Beatles faziam sua última apresentação ao vivo. O concerto no teto do edifício da Apple, no número 3 da Savile Row, centro de Londres, marcou o fim de um rico ciclo de criatividade, cultura, costumes e atitudes. Foram 42 minutos de apresentação até que a polícia, atendendo a reclamações de pessoas incomodadas pelo som alto, deu um ultimato: ou para ou vai todo mundo preso. Ninguém parou, ninguém foi preso. Menos de um ano depois os Beatles se separariam definitivamente. Para muitos, aquele foi o último concerto de rock.

O CONCERTO NO TETO DO EDIFICIO DA APPLE
Os Beatles no teto da Apple, em 30 de janeiro de 1969: o último concerto ao vivo da banda durou 42 minutos.
Tudo pronto - Minutos antes do meio-dia Paul foi à cobertura e deu alguns pulos sobre o estrado de madeira que havia sido montado no local. Tudo parecia seguro. Os equipamentos estavam ligados e os demais músicos já chegavam.
Um ano depois do concerto no teto da Apple os Beatles estariam definitivamente separados.
Um ano depois do concerto no teto da Apple os Beatles estariam definitivamente separados.
“Desgraça” - Uma dessas pessoas era Stanley Davis, alfaiate especializado em trabalhar com tecidos de lã. “Eu queria que aquele maldito barulho parasse. Aquilo era absolutamente uma desgraça”. O último concerto dos Beatles estava prejudicando negócios e atrapalhando o tráfego.
Dos quatro beatles, apenas George Harrison havia se declarado contra a apresentação no teto da Apple, mas rendeu-se à vontade da maioria, tocando o tempo todo com sua recém-chegada Fender Telecaster, inteiramente construída em precioso (e hoje raro) brazilian rosewood, o nosso nobre pau-rosa. Mas até que os quatro beatles e o tecladista norte-americano Billy Preston (convidado por George a se juntar à banda) subissem as pesadas escadas de madeira que levavam ao teto do prédio, muita coisa rolou nos andares de baixo.
O vento cortante obrigou Ringo Starr a se proteger melhor e  o baterista pegou emprestado o casaco vermelho de plástico de sua mulher, Maureen. John vestiu o casaco de peles de Yoko Ono, o mesmo que voltaria a usar várias vezes depois. Os funcionários da Apple se acomodaram como puderam. O produtor George Martin não apareceu no teto. Preferiu ficar no porão, ao lado das mesas de som. “Tinha medo de que o barulho causasse problemas com a polícia”, disse. Medo profético.
Um ano depois do concerto no teto da Apple os Beatles estariam definitivamente separados.
Foi neste mesmo 30 janeiro. Só que era uma quinta-feira, mais ou menos meio-dia. Inverno. Frio e vento forte naquela Londres de 1969. No número 3 da Savile Row ficava a sede da Apple. Mais do que um selo musical, a empresa foi criada com a pretensão de ser o que hoje se costuma chamar de empreendimento multimídia. 
O PRÉDIO NO NÚMERO 3 DA SAVILE ROW, NO CENTRO DE LONDRES
Com a fachada da época dos Beatles
 Era um predinho de tijolos vermelhos semelhante a tantos outros de uma rua que, até então, abrigava os mais renomados alfaiates da cidade. Porão, térreo, quatro andares, o telhado plano com chaminés e uma espécie de laje. Lugar mais improvável para abrigar um concerto de rock. Mais improvável ainda para o último concerto ao vivo dos Beatles. Apenas 42 minutos de música antes de a polícia chegar e sugerir que a festa deveria acabar. E acabou. Para muitos, foi o último concerto de rock.
 E foto tirada em maio do ano passado.
Passaram-se 46 anos e o rooftop concert ainda é lembrado com reverência, embora naquele 30 de janeiro de 69, muita gente tenha se sentido incomodada pelo som muito alto que vinha dos amplificadores instalados no alto daquele prédio.
Exaltados - Ninguém mais duvidava de que o Beatles estavam a um passo da separação. Os ânimos estavam exaltados. George já havia deixado a banda por algumas semanas. Ringo foi até o apartamento em que John Lennon morava para dizer-lhe que também deixaria a banda. Achava que ninguém gostava dele. Demovido temporariamente dessa ideia, foi até a casa de Paul e disse-lhe a mesma coisa.
Irritado, John queria chamar Eric Clapton para o lugar de George. Paul, por ingenuidade, sinceridade ou interesse comercial, insistia em colocar panos quentes nas desavenças e apostava na manutenção dos Beatles, inclusive com a volta da banda aos palcos.
Haviam se passado dois anos e cinco meses desde o concerto no Candlestick Park, em San Francisco, nos Estados Unidos, e ficara acertado, pelo menos tacitamente, que os quatro passariam a se dedicar apenas às produções em estúdio. A música dos Beatles sofisticava-se cada vez mais, limitando drasticamente a possibilidade de serem executadas ao vivo.
Plano - Mesmo assim, pelo menos na cabeça de Paul McCartney, havia um plano bem traçado para aquele início de 1969. A banda, que se reunira meio a contragosto para gravar mais um álbum (Let it Be), seria também protagonista de um novo filme, já que todos os ensaios estavam sendo gravados, inclusive os desentendimentos. Coroando isso tudo, havia a ideia, ainda pouco trabalhada, de um grand finale, uma apresentação ao vivo. Consideravam a possibilidade de tocar em um anfiteatro grego, em um barco ou ainda na Roundhouse, em Londres. Só palpites. Nada fechado.
Teria partido de Neil Aspinal, secretário e antigo roadie da banda, a proposta de um concerto no teto da Apple. Paul foi reticente, mas não foi contra. George disse que não gostaria de “tocar na chaminé”. Ringo e John gostaram da ideia. Para Billy Preston, que estava em Londres acompanhando Ray Charles e fora convidado a visitar e a gravar com os Beatles, tanto fazia. Para ele, tudo seria lucro. No dia 26 de janeiro, então, ficou acertado que os Beatles, com Billy Preston nos teclados, tocariam ao vivo no teto do prédio da Apple.

Senhoras e senhores,
OS BEATLES

A poucos metros da Apple, na mesma Savile Row, havia um posto policial e logo os bobbies foram acionados pelos comerciantes das redondezas. Era hora de almoço, mas o barulho estava afastando os clientes das alfaiatarias. Zelosos e geralmente gentis, os policiais pareciam um pouco confusos. Andavam, tentavam organizar o trânsito e ouviam as pessoas. Umas irritadas, outras nem tanto e outras nem um pouco. Bateram à porta da Apple e entraram.
O Beatles tocam One After 909 ao vivo, com um solo bem rock-and-roll de George Harrison:

Ultimato - Mal Evans, o faz-tudo dos Beatles, recebeu os policiais. Conversaram na sala de entrada e logo subiram ao teto. Era portador de um ultimato. “Ou para tudo ou todos serão presos”, disse Evans no ouvido de Paul McCartney. Ninguém parou e ninguém foi preso. “Teria sido o final perfeito”, diria anos depois um decepcionado Ringo Starr.
O concerto continuou por mais algum tempo, mas a fita de gravação acabou quando os Beatles terminaram de tocar Dig a Pony. No porão, ao lado de George Martin, Alan Parsons correu para colocar um carretel novo, mas era tarde e um arremedo de God Save the Queen e um trechinho de I Want You não puderam ser registrados. Essa última música integraria o álbum Abbey Road, que a banda ainda gravaria naquele ano.
Numa espécie de anticlímax, o concerto no teto da Apple terminou com uma frase irônica de Lennon: “Quero agradecer em nome do grupo e espero que tenhamos sido aprovados no teste”. Foram. E com louvor. Mas havia pouco a comemorar. Aquele 30 de janeiro de 1969 representou não apenas a última apresentação pública da banda, mas o fim de uma era. Menos de um ano depois os Beatles estariam definitivamente separados.

fotos:
divulgação
fonte:
CARLOS DE OLIVEIRA
http://cultura.estadao.com.br/blogs/sonoridades/ha-46-anos-o-ultimo-concerto-de-rock-2/